Um mundo em escombros
Nos meus 52 anos, aprendi que o mundo é um lugar complicado, mas que havia, aqui e ali, alguma ordem capaz de impedir um colapso geral. Um mundo onde os direitos humanos eram o valor a nortear as decisões das nações e as relações entre elas. Ainda que, em nenhum país, esses direitos estivessem plenamente consolidados. Longe disso. Mas, vá lá, era o ponto de chegada, um objetivo inquestionável, pelo menos no papel e nos discursos. Na prática… bem, na prática, a história sempre foi outra. Minha percepção é que esse valor se perdeu, se tornou um problema contornável. O que antes era prática envergonhada, cheia de justificativas incômodas do tipo “não, mas veja bem, não é assim...”, agora aparece abertamente em discursos e em políticas oficiais. O mundo em que nasci, erguido sobre os escombros da Segunda Guerra e do colonialismo, agoniza em meio as ruínas de um hospital de Gaza sob violento bombardeio.